Quando estava grávida de meu primogênito, um aluno (ao notar a protuberância abdominal despontando) ficou na dúvida se era gravidez mesmo ou apenas efeito colateral de alcoolismo. Depois de muito me observar, desferiu sua pergunta.
Primeiro eu disse que era chopp da Brahma, claro. Depois confirmei a gravidez (não sem antes desmentir o chopp). E ele retrucou de forma bem natural: “e quem é o pai, fessôra?”.
Hein? Oi? Cuméquié?
Fiquei meio constrangida e chocada ao mesmo tempo. Depois respondi (com bem menos naturalidade), dizendo: “É o meu marido, né, filhão?”. ( “Filhão” é meu jeitinho carinhoso de chamar os alunos de filho da… bom… de filhos)
Não compartilho detalhes pessoais com qualquer turma (e com aquela certamente só falava o estritamente necessário). Até por isso, a confusão do gremlin, digo, aluno (e antes dele, vários outros) era até compreensível.
Estado civil sempre foi um assunto confuso por aqui. Chamo de “pseudomarido” (aqui mesmo e também aqui), de “marido”, “bofe” ou de “respectivo” aquele um com quem divido a casa, a cama, a vida, mas que nunca me levou ao altar e nunca me deu uma aliança (nem daquelas de pirulito).
E sem aliança, até que eu abra a boca e diga o contrário, assume-se que sou solteira (e de fato, em termos legais, até sou).
Aff, que bagunça. Mas afinal, nesse tópico “estado civil”, importa o quê?
O papel? A aliança? A festa? A bênção divina?
Na dúvida, digo timidamente que sou casada, sim.
Papel que comprove, eu não tenho. Nem aliança. Festa e vestido branco de princesa nunca tive (e nunca me fez falta).
Mas se o que contar for a bênção divina, certamente nós a recebemos. Duas, aliás: uma de quatro anos, outra de cinco meses.
Uso desses apelidos carinhosos porque nunca sei que efeito a falta da aliança na mão casada pode provocar. E (no caso do blog) também porque o “dito cujo” vive me pedindo pra não ficar expondo-o na internet.
Pai dos meus filhos, meu companheiro de intimidade, o cabra que ronca ao meu lado toda noite, aquele que atura minha TPM e é macho o suficiente pra sair vivo dela, mês após mês, ano após ano…
Este sobrevivente de minha fúria hormonal, com nome de deus grego, simplesmente acumula as insubstituíveis funções de HOMEM DA MINHA VIDA e MELHOR AMIGO DO MUNDO TODO.
(Calma, Amor… Se você estiver lendo e achou brochante esse negócio de “melhor amigo”, faz o seguinte: foca lá no “HOMEM da minha vida”. Ou, se você preferir, eu poderia esclarecer tudo aqui dizendo também que você é aquele que me maltraaaata na cama, mas você ficaria envergonhado… então não digo. hein? ops… xô ficar quieta).

Enfim…
Que sorte danada encontrar esse “combo” – aliás, uma vidente nos disse uma vez que nosso encontro estava marcado há muito tempo.
Alma gêmea ou não. Casada ou não. Que diferença faz?
Nem o tempo importa quando é pra sempre.

(Vem comigo, “deus do amor”! Bóra ficar velhinho e enrugado junto!)
:-*