Ana Márcia

Túnel do tempo

Porque eu sou imitona e gostei da idéia de um diálogo “de mim comigo mesma”.

(Efeito especial de túnel do tempo…)

- Olha só… vai faltar luz.

- Nacridito!

- Vai.

- Depois que essa música “mela cueca” aí acabar.

- Mané, mela cueca…

- Nem vou discutir, porque sei que você não é boa nisso.

- EU NÃO SEI DISCUTIR????

- Não sabe, fia. Mas vai aprender. Escuta… que mico aquele que você pagou no colégio, hein?

- Ai, não fala que eu sinto a vergonha toda de novo.

- Mas não se preocupa que essa sua total inaptidão com pessoas vai passar.

- Quando????

- Começa a melhorar daqui uns 8 anos, mais ou menos.

- Quer dizer que eu ainda vou pagar micos assim NA FACULDADE???

- Vai pagar MUITO MAIS. Mas logo você pega o jeito de rir de você mesma. É só não se levar tão a sério.

- Caraca… 8 anos é tempo que não chega nunca!

- Não só chega como passa. E essa sua sensação de “stuck in a moment”…

- Hein?

- Ah é. Esqueci. Precisa de muitas horas de friends ainda pra você sair do verbo to be. Enfim… essa sensação de estar presa num momento, nesse momento corno aí, deitada no chão do quarto ouvindo mela cueca em pleno sábado a noite, dia dos namorados, isso vai passar.

- Aaaai, mas demooora! Por que não passa agora?????

- Essa afobação também vai passar. Essa ansiedade que vira angústia que chega a dar vontade de chorar. VAI PASSAR. Mas nem vou te pedir calma, porque sei que não adianta.

- Tá parecendo minha mãe.

- Pois é. Mãe é tudo meio parecida mesmo. Mas uma coisa eu vou fazer diferente: não vou te dizer que isso tudo que você sente é bobagem. NÃO É. É uma merda. MAS PASSA. TÔ TE FALANDO. Vai aguentando aí os micos que você sente vergonha só de lembrar. Eu também sinto isso, às vezes.

- E namorado?? Vou arrumar ou não vou??

- Tá colada nisso, hein??? Vai. Uns bem fraquinhos.

- Bosta.

- Mas é bom pra treinar. Pode pegar todos.

- Pegar? Tipo, pegar de porrada? Tá louca?

- “Pegar” é o que acontece depois que “um bota o outro na fita”… é dar uns beijinhos sem muito compromisso…

- Ah tá. Ficar.

- Isso. Fica com todos que pintarem. Serão tão poucos que você nem vai levar fama de piranha.

- E o namorado???? Quem vai ser?????

- Todos menos esse aí que você tá querendo.

- Nacridito!

- Pois é. E se eu te contar por que não rolou, aí é que você não vai acreditar MESMO. Mas não conto. Até porque, do jeito que você é, vai me ignorar e pagar vários micos por ele, IGUALZINHO EU PAGUEI.

- Nacridito que não vou ficar com ele!!!!!!!

- Tá bom. Tô mentindo.

- Mesmo????

- Que diferença faz? Você “nácridita”, cacete!

- Nacridito mermo!!!!

- En-tão-pron-to!!!!

- Inclusive acabou a música e não faltou luz, como você falou!

- Ah é. E você sabe disso como, gênia? Se já estava tudo apagado aqui?

- Tô vendo luz pela janela!!! Dâ!!!

- É a Lua!!! Dâ!!!

- E a luzinha do rádio tá acesa!!!

- Mas não tá mais falando, né xuxuzim! Vou nessa que tá tarde e eu tenho família.

- Isso eu também tenho.

- Mas a minha é diferente da sua.

- Hein?

- Engraçado que eu te achava bem mais inteligente…

- Tá me chamando de burra?

- Olha só… Vou nessa. Não quer perguntar mais nada?

- Não…

- Carreira, dinheiro, saúde…

- Não…

- Se ainda vai ter água potável na Terra…? Se o mundo acaba no ano 2000????

- Não. Tô legal.

- Puta merda. A gente não tem mesmo “visão além do alcance”, né? Isso, infelizmente, não vai mudar… Bom, fui.

- Espera! Eu faço vestibular pra quê mermo???

- Ah, filhinha, seu tempo acabou. Tira na sorte!

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- Giselle, tô preenchendo a inscrição do vestibular… fala um número aí.

- Caraca, não fez isso ainda? O último dia de mandar É AMANHÃ!!!

- Então, cacete. Falei que tô preenchendo A-GO-RA!

- Tsc… Olha só, eu estava dormindo e você tá me xingando…

- Péra. É só falar um número, jumenta.

- OITO!

- Geografia. Valeu. Amanhã a gente se fala!

Ana Márcia

Preguiça verborrágica

A casa está sujinha. A pia está imunda. Tem roupra pra estender na máquina. Tem roupa pra passar na cômoda. Tem uma panela de pressão “pedindo silêncio” no fogão. E tem um preguiçosa no computador.

Está claro que eu tenho sim, o que fazer, mas também está claro que não vou fazer, confere?

Primeiro, porque eu tenho uma “fada da vassoura” (deve ser sobrinha-neta da fada do dente. E ao invés de me deixar dinheiro, eu é que deixo pra ela, o que é totalmente justo, né, Lolouca? - “Lolouca” é o quase-nome da minha fada, se não ficou claro), que faz a casa voltar a ser habitável (a roupa é comigo, então se me verem amarrotada na rua, NEM PERGUNTE).

Segundo, porque estou de férias (legal que quando estou trabalhando a desculpa é que estou cansada de tanto trabalhar. Aff… é um ciclo sem fim, como diria o Rei Leão).

Já que o neném dormiu e a preguiça impera onipotente, here I am passando hora. E não espere um texto coeso.

Eu finalmente entendi que com filhos não dá pra ser espontâneo. Não dá pra acordar às 8 (nem as 7 ou 6!) e de repente bolar uma programação show. Demorei pra entender (1 ano e 9 meses), basicamente porque sou lerda meRmo - e burra, como já adimiti em “rede nacional” (aliás, pra que as aspas??? SIM, BURRA EM REDE NACIONAL! LITERALMENTE, oras!), mas também porque meu filho não é só lindo e inteligente como também era super meu camarada. Não tinha frescuras pra nada. Quando mamava então, era só pegar fraldinhas, pomada, lencinhos, chupeta, um beijo e tchau. Mamãe-marmitex tinha sempre papá quentinho em qualquer hora e lugar.

Agora… só come com feijão (mas não o meu. Não gosta do meu feijão… aff…). E tem que ser em casa! Na rua fica muito distraído com o mundo, não consegue se concentrar em comer (aliás, acho que isso… logo isso… ele puxou a mim. Quando moleca passava hooooras brincando e simplesmente não sentia fome. Era sempre a última a entrar pra jantar).

Então agora a mamãe tem que resolver o dia de hoje, ontem. Deixar o almoço esquematizado, dar preferência pra sair na parte da manhã e rezar pra que a previsão do tempo não erre (e erra… puta que pariu… tem errado MUITO).

Ok. Entendido. Compreendido. Captado. Assimilado? Aí já tá querendo demais. Vou precisar de mais 1 ano e nove meses pra isso.

Hoje acordei linda depois de uma noite de sono quase boa. Me espreguicei ao som de música clássica de desenho animado, dei mamadeira pro pequeno, fui pro computador, vi e-mails (ainda linda), vi o dia sensacionalmente quente que se anunciava e pensei: vou a praia.

Apesar de estar insistindo na tal espontaneidade impossível aos pais, eu realmente achei que daria tudo certo, afinal, era só garantir a nutrição do meu neguinho (coisa que já tinha deixado encaminhado, não sei nem por que).

Procurei na minha lista de contatos vítimas dispostas a me ajudarem na empreitada. Tudo combinado mais ou menos assim: estaríamos saindo em direção a terra prometida lá pelas 2 (depois dele almoçar e antes de dormir! na praia ele fica tão feliz que perde o soninho da tarde de bom grado)

EstarÍAMOS.

Neném dormiu. MEIO DIA! MEEEEIOOO DIIIAAAAA!!!!!!!!!

Ao meio-dia em ponto e sem almoçar, for christ sakes! - afinal, ele NUNCA dorme antes das 3 da tarde, do mesmo jeito que NUNCA almoça antes da uma. Será que ele nunca vai criar uma rotina, um padrão, com relação ao sono? Mamãe tá envelhecendo aceleradamente e desnecessariamente, Nicolas!

Tsc… Vou esperar o imperador acordar…

Com sorte, ele acorda e almoça logo, me dando possibilidade ainda de ir à praia ou algum outro lugar fresquinho.

E acabo de me lembrar que não tem jeito: tenho que sair… hoje é dia da fada passar por aqui.

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PS: Só agora vi os comentários do (quase)texto anterior. Que bonitinho ver que ainda tem gente que passa por aqui! Juro que fiquei emocionada com os comentariozinhounnnnsssss! (com exceção da Oksana, claro. :-P)

Ana Márcia

Hein?

Alôw! Tem alguém aí? (aí… aí… aí…)

Uma pessoa conhecida outro dia disse que “falta de tempo não justifica negligência”, então não vou nem entrar numa de dizer que sumi por falta de tempo (embora o tempo falte mesmo, fato. Bem… não agora que estou de férias…).

Então já que nesta manhã o calor deu uma trégua, cá estou eu neste notebook quente tentando tirar leite de pedra (todo mundo concorda que até agora eu não achei as tetas???).

Mas pelo menos eu tô tentando, pô!

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