Archive for April, 2006

Ana Márcia

Qualquer semelhança é mera coincidência

Domingo (pede cachimbo) a rede grobo apresentou mais um filme inédito (na Antártida, talvez), cujo título seria precisamente “Entrando numa fria” (aquele com o De Niro e o Ben Stiler).

Já vi o filme várias vezes e acho bem divertido, mas NUNCA achei tão hilário quanto neste domingo (e não, eu não estava drogada, alcoolizada e nem tinha batido a cabeça e perdido a memória).

Estava eu, num momento “Amélia”, fritando batata na cozinha e ouvindo os diálogos do filme que Rama assistia na sala. E foi entre um respingo de gordura e outro que eu tive uma epifania. Ouvi (dentro da minha cabeça… acho) uma voz dizendo: ANA MÁRCIA, ESTA É SUA VIDA.

Sabe quando a pessoa tenta desesperadamente puxar o saco assunto e ser irresistivelmente simpática porque se sente incrivelmente intimidada com alguém que ela queria imensamente que a amasse (do verbo amar, não amassar)? Sabe quando isso não dá certo? E mais: DÁ SUPER ERRADO?

Façamos uma comparação entre as comédias (a minha e a do Ben):

Cena 1:
Ben Stiler - Nossa, este é um belo vaso!
Robert de Niro (com cara de Robert de Niro) - Não é vaso. É a urna onde estão as cinzas da minha mãe.
Bem Stiler (seguindo a filosofia do “o q é um peido pra quem já está cagado?”) - Ah… nossa… Mas é uma urna muito bonita, então…

(Silêncio desconfortável)

Corta.

Cena 2:
Ana Márcia (a sós com progenitores) - E então… O que fizeram durante a semana?
Progenitores (com cara de Robert de Niro com unha encravada. Atuação digna de Oscar) - Absolutamente nada.
Ana Márcia (perdendo a oportunidade de imitar uma samambaia) - Hum… Bom… fazer nada pode ser interessante tb…
(Silêncio desconfortável)

Tipo assim: “SOMEBODY SAVE ME… OR SHOOT ME… I DON’T CARE”, foi o que eu pensei naquele momento (e em inúmeros outros).

Ana Márcia

O Tibete estava uma delícia, mas os monges me convidaram a sair porque quando me pediram pra cantar o mantra eu não tive dúvidas e mandei logo o “Hare Krishna Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare” (com coreografia e tudo) do Nando Reis. Não entenderam a brincadeira.
E pra dizer a verdade se eles não me mandassem, eu viria embora de qq jeito: o banho era frio, acredita? Isso sem falar que os monges não me abrigaram de graça (você veja como o capitalismo realmente dominou o mundo… Acho que da próxima vez vou me agregar a uns índios por aqui mesmo… Se eu tiver que pagar por alguma coisa, talvez aceitem espelhinhos… Será?).

—————————————

Me dêem os pêsames: emagreci.

Não visitei Malvina (a balança aqui de casa. Aliás, há anos que não visito), mas notei por causa de uma bermuda cujo botão se arreganhava sempre que eu sentava (agora só abre depois do almoço).

A vida tem dessas coisas bacanas (sarcasmo): pra engordar eu preciso passar uns dois meses almoçando e jantando em rodízio de massa, mas para emagrecer bastam duas semaninhas de estresse.

E se alguém tentar me consolar dizendo que ser magrinho é bacana, eu não respondo por mim.

————————————

Delírios aparte, esse “retiro” foi uma farsa. Sim, eu sei q vcs sabem que eu não estava no Tibete. Não é disso que estou falando. Mas também não quero entrar nos detalhes sórdidos. Basta dizer que estou mais controlada emocionalmente (é uma pena que esse controle não se expanda para a área financeira…).

Ana Márcia

———————–
I have run, I have crawled
I have scaled these city walls
These city walls, only to be with you
But I still haven’t found what YOU’RE looking for
———————–
Sento, deito, durmo
Tendo descansar
Minhas pernas não me obedecem
Ainda se mexem
Não sabem esperar
———————–
Ratazana abandonando a toca (temporariamente) pra viajar pro Tibete em busca de paz de espírito.
Vou num pé e volto noutro.

Next »