… Pode ter sido ontem ou anteontem. Com certeza começou um pouco antes de eu fazer 30 anos. Não sei quando e certamente não faço idéia de como isso foi acontecer. Como uma garota magrela, desajeitada e sem habilidades sociais que sempre teve o copo da auto-estima “metade vazio”, com sérias tendências à invisibilidade, resolveu que sabe exatamente o valor que tem?

Mas isso não é o mais fantástico. Porque no fundo, no fundo, eu sempre soube e acho que TODO MUNDO sabe o valor que tem. Só que a gente se deixa convencer pelo mundo de que essa certeza não passa de um delírio megalomaníaco, por mais humilde e sensato que seja.

O mais fantástico é que eu não só sei exatamente o quanto valho, eu também estou pouco me f*%d#ndo se o mundo acha que estou exagerando. Porque eu não estou. Eu sei que não. Precisei chegar aos 30 pra ter essa certeza.

Trinta anos pensando e analisando todos os possíveis desdobramentos de cada palavra que digo e disse, de cada gesto e ação.

Ainda me puno pela minha estupidez de juventude, quando eu falava demais e até ofendia porque não sabia como conciliar o valor que eu sabia (de alguma forma) que tinha e a pouca apreciação externa que recebia.

Mas eu realmente não me importo mais. E não estou falando só das pessoas que importam pouco na nossa vida (porque por mais que todo mundo goste de dizer que está cagando e andando pro que os vizinhos vão pensar, a verdade é muita gente não está. Muito bem. Eu realmente estou, finalmente).

Estou falando também daquela minúscula parcela da população mundial pela qual a gente reza todo dia.

Amo muito mesmo. Com todo o coração. Meus pais que me deram tudo, meu marido que sempre me amou do jeitinho que eu sou, meus filhos que fatalmente discordarão de toda essa minha “ode a mim mesma”.

Meu lema é (já há algum tempo)… sua opinião a meu respeito é um problema seu. Vivo dizendo ou pensando isso. E agora, finalmente, quando digo, I MEAN IT!

Legal, né? O estranho é que sempre que me vejo numa situação onde me sinto pouco apreciada, a garota magrela, desajeitada e sem habilidades sociais chora. Muito mais ferida agora. Sua tristeza é muito mais profunda agora, porque ela já sabe que isso não é bobagem, não é coisa da idade, não é “falta de uma louça pra lavar”.

Louça pra lavar é o que não me falta. Já lavei várias. Já arrumei um trabalho, filhos e todas aquelas preocupações adultas legítimas, socialmente validadas. Mas essa fresca dessa garota magrela, volta e meia, chora.

Então eu a mando de volta pro quarto, porque… bem… quem leva uma garotinha chorosa a sério? Mas não sem antes avisar que tá tudo bem. E que eu vou cuidar dela. E que a gente se ama e se merece. E que há pessoas que também nos amam. Mas que o que importa mesmo é que a gente sabe o valor que tem. E por isso, não importam as contingências, vamos ficar bem.

7 Responses to “Não sei exatamente quando isso foi acontecer…”

  1. Rita Rockeiraon 19 Jul 2011 at 22:05

    Chego lá um dia!!!!

    (Primeira vez aqui. gostei!)

  2. Oksanaon 22 Jul 2011 at 15:19

    Eu também me sinto assim há algum tempo. É muito bom chegar nesse ponto em que não dependemos mais dos outros para dizer o quanto valemos. Até porque, quando dependíamos, não importava o quanto os outros dissessem bem de nós: jamais ficaríamos plenamente convencidas… rs
    Quanto à garotinha magrela e desajeitada, ela bem podia ser amiga de uma nariguda de cabelo ruim que sofreu muito na adolescência, hahaha… Sempre penso que o fato de não ter sido linda na fase mais difícil da vida em termos de socialização foi extremamente importante para moldar minha personalidade. Foi assim que desenvolvi a inteligência e o humor sagaz.
    E hoje muitas das minhas coleguinhas que costumavam ser lindas estão feias, gordas, acabadas, e nem sequer podem contar com um cérebro brilhante como o meu. Coitadas.
    Ps.: você pode cagar e andar para a opinião alheia, mas mesmo assim vale dizer que sou da turma que acha que você vale muitão! ;)

  3. migon 24 Jul 2011 at 11:56

    Adulta,então.E como eu a invejo,minha cara,eu só cheguei lá nos quarentas!

  4. Thaison 05 Aug 2011 at 15:32

    Adorei o texto!
    o ultimo paragrafo deu até aquele nó na garganta.

  5. Giselion 16 Aug 2011 at 14:34

    Só hoje li o seu texto e o achei fantástico. Primeiro, porque você tem escrito de uma maneira bem mais intimista intimamente. Ou mais romântica. Mais sensível. Bem, não sei ao certo. Escrito de forma diferente. Segundo, você me fez refletir sobre um monte de coisas e cheguei a conclusão de que o era mundo mais simples quando eu não sabia o vamor que tinha, mas sou bem mais feliz agora. Cresci também. ;-)

  6. Giselion 16 Aug 2011 at 14:34

    *eu quis dizer ultimamente e não intimamente.rs

  7. maryon 28 Dec 2011 at 23:09

    agente cresce, quando cresce, nos 30,40, ou até mais e ou até bem menos, do jeito que as coisas estão…mas dentro da gente, principalmente mulher, tem sempre uma meniniinha, tipo a da foto, e a do texto, a autora, que chora e vai pro quarto, somos assim, mulheres, sensiveis, mães, sonhadoras, romanticas…somos assim…gostei do texto, do blog , por que parou MARCIA ? VOLTA….

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